Análise da 5ª temporada de Emily em Paris (ou seria Emily em Roma?)
Desde sua estreia, Emily em Paris se consolidou como uma das séries mais comentadas da Netflix. Misturando moda, marketing, romances e conflitos culturais, a produção sempre dividiu opiniões, mas nunca deixou de gerar engajamento. Ao longo das temporadas, Emily Cooper passou de uma jovem estrangeira tentando se adaptar a Paris para uma personagem cada vez mais envolvida com o mercado europeu, relações complexas e decisões profissionais importantes.
A 5ª temporada chega com grandes expectativas, especialmente após o final da temporada anterior, que deixou o público curioso sobre o futuro de Emily na Agência Grateau, seu relacionamento com Marcello e os rumos da narrativa. E a pergunta que não quer calar já surge no título: estamos falando de Emily em Paris ou Emily em Roma?
Onde paramos: o gancho deixado pela temporada anterior
O final da temporada anterior foi decisivo para a construção do novo arco narrativo. Sylvie, sempre firme, elegante e estrategista, decide deixar a nova filial da Agência Grateau nas mãos de Emily. Esse momento simboliza uma possível virada na trajetória da protagonista, que finalmente parecia pronta para assumir uma posição de liderança.
Ao mesmo tempo, Emily começava a se aventurar em seu romance com Marcello, abrindo espaço para um novo interesse amoroso que fugia do ciclo repetitivo envolvendo Gabriel. Esse encerramento deixou a sensação de amadurecimento da personagem e preparou o terreno para mudanças mais profundas na série.
O início da nova temporada: liderança em conflito
A nova temporada começa exatamente explorando esse ponto de transição. Emily agora enfrenta dificuldades reais em assumir a liderança da filial. Mesmo tendo sido colocada na posição por Sylvie, ela percebe rapidamente que, na prática, a autonomia prometida não é tão simples assim.
Sylvie continua exercendo forte influência sobre as decisões, o que gera insegurança, conflitos internos e frustrações em Emily. Esse embate revela um dos temas centrais da temporada: o desafio de crescer profissionalmente sem perder a própria identidade, especialmente quando se trabalha sob a sombra de figuras tão dominantes.
A série acerta ao mostrar que liderança não vem apenas com um cargo, mas com reconhecimento, confiança e, principalmente, espaço para errar.
O desafio Muratori e a resistência de Antonia
Paralelamente aos conflitos internos da agência, Emily se envolve profundamente na tentativa de conquistar Antonia, mãe de Marcello, para desenvolver uma campanha de marketing para a Muratori. Esse arco se torna um dos mais interessantes da temporada, justamente por colocar Emily diante de um desafio que não pode ser resolvido apenas com entusiasmo e boas ideias.
Antonia representa uma mentalidade mais tradicional, resistente à modernização e desconfiada da abordagem ousada de Emily. A protagonista, por sua vez, tenta fielmente provar seu valor, insistindo em criar uma campanha que respeite a essência da marca, mas dialogue com o mercado contemporâneo.
Esse conflito evidencia o amadurecimento profissional de Emily, que precisa aprender a ouvir mais, adaptar sua abordagem e lidar com o “não” de forma estratégica.
Paris ou Roma? A mudança de cenário como símbolo narrativo
A possível transição entre Paris e Roma não é apenas geográfica, mas simbólica. Enquanto Paris sempre representou o choque cultural, a moda e o glamour idealizado, Roma surge como um espaço mais tradicional, intenso e carregado de história.
Essa mudança amplia o universo da série e reforça a ideia de que Emily agora transita por um mercado europeu mais amplo, lidando com culturas diferentes, expectativas distintas e desafios mais complexos. A ambientação continua sendo um dos grandes trunfos da série, usando cenários icônicos para reforçar emoções e conflitos.
As reviravoltas da temporada e o ritmo da narrativa
Em nossa opinião, um dos grandes acertos da 5ª temporada está justamente nas reviravoltas. A série consegue fugir da previsibilidade que marcou temporadas anteriores, trazendo conflitos inesperados, mudanças de postura dos personagens e novas dinâmicas de relacionamento.
Emily deixa de ser apenas a personagem que “sempre dá um jeito” e passa a enfrentar consequências reais por suas escolhas. Isso torna a narrativa mais madura e interessante, mostrando que a série está disposta a evoluir junto com seus personagens.
A decisão de tirar Gabriel do centro do romance
Talvez uma das mudanças mais significativas — e acertadas — da temporada tenha sido a decisão de não colocar Gabriel como o principal romance de Emily. Durante muito tempo, essa relação foi explorada de forma cíclica, o que começou a gerar desgaste.
Ao abrir espaço para Marcello e outras possibilidades, a série permite que Emily explore novas conexões e amadureça emocionalmente. Em nossa opinião, essa escolha foi essencial para renovar a narrativa e evitar a repetição de conflitos que já haviam se esgotado.
Essa mudança também reforça a ideia de que a vida amorosa de Emily não precisa girar em torno de um único personagem.
Marcello e a nova fase emocional de Emily
O relacionamento com Marcello traz uma energia diferente para a série. Ele representa não apenas um novo interesse amoroso, mas uma conexão com uma cultura, uma família e uma visão de mundo distintas.
A relação não é idealizada, enfrentando obstáculos reais, principalmente por conta da resistência de Antonia e das responsabilidades profissionais de Emily. Esse equilíbrio entre romance e conflito torna o relacionamento mais crível e interessante de acompanhar.
Mindy e Alfie: um romance que merece mais espaço
Outro ponto alto da temporada, em nossa opinião, foi o desenvolvimento do romance entre Mindy e Alfie. A química entre os personagens é evidente, e a relação traz leveza, carisma e momentos genuinamente divertidos para a narrativa.
Mindy continua sendo uma das personagens mais queridas da série, e seu envolvimento com Alfie adiciona camadas emocionais importantes. A dinâmica entre os dois funciona muito bem e, sinceramente, deveriam investir ainda mais nesse casal. Eles têm potencial para se tornar um dos relacionamentos mais marcantes da série — rsrs.
Sylvie: controle, mentoria ou medo de perder espaço?
Sylvie continua sendo uma personagem central e complexa. Sua dificuldade em realmente entregar o controle da filial para Emily levanta questões interessantes sobre liderança, ego e medo de se tornar obsoleta.
Ao longo da temporada, fica claro que Sylvie enxerga Emily tanto como uma protegida quanto como uma possível ameaça. Essa ambiguidade torna a relação entre as duas ainda mais rica e cheia de nuances, contribuindo para alguns dos conflitos mais interessantes da narrativa.
A evolução (ou não) de Emily como protagonista
A 5ª temporada mostra uma Emily mais madura, mas ainda imperfeita. Ela erra, insiste, se frustra e aprende. Esse crescimento gradual é um ponto positivo, pois afasta a personagem do estereótipo da protagonista sempre certa e infalível.
Mesmo assim, a série mantém sua essência leve, divertida e visualmente encantadora, equilibrando amadurecimento com entretenimento.
O fantasma de Gabriel: ele realmente ficou no passado?
Apesar de Gabriel não ser o foco principal da temporada, sua presença ainda paira sobre a narrativa. Em nossa opinião, tudo indica que a série ainda prepara um possível retorno desse romance.
A grande questão é: isso será um retrocesso ou uma evolução bem trabalhada? Se acontecer, precisará ser construído de forma diferente, mais madura e menos repetitiva, para não comprometer os avanços feitos nesta temporada.
O que essa temporada representa para o futuro da série
A 5ª temporada marca um momento de transição importante para Emily em Paris. As mudanças de cenário, foco narrativo e desenvolvimento dos personagens mostram que a série está tentando se reinventar sem perder sua identidade.
Esse equilíbrio é delicado, mas, até aqui, funciona muito bem.
Conclusão
Em nossa opinião, a 5ª temporada de Emily em Paris foi muito boa. As reviravoltas funcionaram, as mudanças foram bem-vindas e a decisão de tirar Gabriel do centro do romance foi um grande acerto. O desenvolvimento de Mindy e Alfie foi encantador e merece ainda mais espaço nas próximas temporadas.
Mesmo assim, tudo indica que o romance entre Emily e Gabriel pode voltar a ganhar destaque. Será que a série conseguirá fazer isso sem cair nos mesmos erros do passado?
E você, o que achou dessa nova temporada? Acha que Emily em Paris deveria seguir explorando novos romances ou voltar ao casal original? Conte pra gente nos comentários e participe da discussão!
gustavo.santos
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