The Umbrella Academy

The Umbrella Academy e a desconstrução dos heróis

Por gustavo.santos
11 de janeiro, 2026

Desde o primeiro episódio, The Umbrella Academy deixa claro que não pretende seguir as regras tradicionais das histórias de super-heróis. Em vez de personagens idealizados, altruístas e emocionalmente equilibrados, a série apresenta indivíduos quebrados, traumatizados e incapazes de lidar com seus próprios sentimentos.

Essa desconstrução é o que torna a série tão única e interessante dentro de um gênero saturado.

Heróis criados, não escolhidos

Os protagonistas de The Umbrella Academy não escolheram ser heróis. Eles foram adotados, treinados e moldados desde a infância por uma figura paterna fria e autoritária. Essa criação baseada em cobrança extrema e ausência de afeto deixou marcas profundas em cada um deles.

A série utiliza essa origem para questionar a ideia de heroísmo como algo nobre e desejável.

Trauma como elemento central da narrativa

Cada membro da família carrega traumas específicos que afetam diretamente suas habilidades e decisões. Em vez de superpoderes serem uma dádiva, eles muitas vezes se tornam um fardo emocional.

A narrativa mostra que salvar o mundo é inútil quando os próprios personagens não conseguem lidar com seus conflitos internos.

Relações familiares disfuncionais

No centro da série está uma família profundamente disfuncional. Rivalidade, ressentimento, abandono emocional e falta de comunicação moldam as relações entre os irmãos.

Essa dinâmica familiar é um dos pilares da desconstrução do herói, pois mostra que grandes poderes não compensam feridas emocionais não tratadas.

O fracasso como parte do heroísmo

Diferente das narrativas tradicionais, os personagens falham constantemente. Eles tomam decisões erradas, causam mais problemas do que soluções e frequentemente agravam as situações que tentam resolver.

Esse fracasso recorrente humaniza os heróis e reforça a proposta da série de questionar o mito do salvador infalível.

O fim do mundo como metáfora emocional

As ameaças apocalípticas presentes na série funcionam como metáforas para os conflitos internos dos personagens. O fim do mundo não é apenas um evento externo, mas um reflexo do caos emocional que eles carregam.

A série sugere que, enquanto os personagens não resolverem seus próprios traumas, continuarão destruindo tudo ao redor.

Humor ácido como ferramenta narrativa

Apesar de tratar temas pesados, The Umbrella Academy utiliza o humor ácido como forma de aliviar a tensão e aprofundar a crítica. O sarcasmo e o absurdo reforçam a ideia de que aquela família está longe do ideal heroico tradicional.

Esse humor contribui para o tom irreverente da série e fortalece sua identidade.

Identidade e pertencimento

A série também aborda questões de identidade e pertencimento. Os personagens lutam para entender quem são além dos rótulos de heróis, crianças-prodígio ou fracassos.

Essa busca por identidade reforça a desconstrução do herói como figura centralizada apenas em seus poderes.

A estética como reforço temático

Visualmente, The Umbrella Academy mistura elementos retrô, fantasia e contemporaneidade, criando um universo próprio. Essa estética reforça a sensação de deslocamento dos personagens, que parecem não se encaixar totalmente em nenhum tempo ou espaço.

O visual ajuda a contar a história emocional dos personagens, ampliando o impacto narrativo.

Superpoderes não resolvem problemas emocionais

Um dos principais recados da série é que habilidades extraordinárias não resolvem questões internas. Pelo contrário, muitas vezes amplificam inseguranças, medos e conflitos.

Ao mostrar heróis incapazes de manter relacionamentos saudáveis ou lidar com perdas, a série subverte expectativas do gênero.

A crítica ao heroísmo tradicional

The Umbrella Academy questiona a ideia de que heróis são exemplos morais. Seus protagonistas são egoístas, impulsivos e emocionalmente instáveis, mas profundamente humanos.

Essa crítica dialoga com um público que busca narrativas mais realistas e complexas.

Por que a desconstrução funciona

Ao desconstruir o herói, a série aproxima o público dos personagens. Suas falhas geram identificação e empatia, tornando a história mais envolvente do que narrativas maniqueístas.

Esse diferencial é o que mantém The Umbrella Academy relevante em meio a tantas produções do gênero.

Uma série sobre salvar a si mesmo

No fundo, The Umbrella Academy não é sobre salvar o mundo, mas sobre salvar a si mesmo. Sobre enfrentar traumas, aceitar imperfeições e tentar reconstruir relações quebradas.

Essa abordagem transforma a série em uma reflexão emocional sobre família, identidade e amadurecimento.

Um novo olhar sobre o gênero de super-heróis

Ao desconstruir o heroísmo, The Umbrella Academy oferece um olhar fresco e necessário para o gênero. Ela mostra que nem todo herói usa capa, e que nem todo salvador está emocionalmente preparado para carregar esse peso.

Essa perspectiva torna a série atemporal, relevante e profundamente humana.

gustavo.santos

gustavo.santos

Autor

Compartilhar:

Artigos Relacionados

Newsletter Gratuita

Nunca mais perca uma novidade

Receba as últimas notícias, reviews exclusivos e lançamentos diretamente no seu email